COMO O “CRISTIANISMO” SE TORNOU RELIGIÃO ESTATAL

O CRISTIANISMO nunca se destinava a fazer parte deste mundo. (Mateus 24:3, 9; João 17:16) No entanto, os livros de História nos contam que, no quarto século EC, o “cristianismo” tornou-se a religião estatal, oficial, do Império Romano. Como se deu isso?

Desde Nero (54-68 EC) e bem dentro do terceiro século EC, todos os imperadores romanos perseguiam ativamente os cristãos ou permitiam que fossem perseguidos. Galieno (253-268 EC) foi o primeiro imperador romano a fazer-lhes uma declaração de tolerância. Mesmo assim, o cristianismo era uma religião proscrita em todo o império. Depois de Galieno, a perseguição continuou, e sob Diocleciano (284-305 EC) e seus sucessores imediatos ela até se intensificou.

A inversão da situação veio na primeira parte do quarto século com a chamada conversão ao cristianismo do Imperador Constantino I. Sobre esta “conversão” diz a obra francesa Théo — Nouvelle encyclopédie catholique (Théo — Nova Enciclopédia Católica): “Constantino apresentava-se como imperador cristão. Na realidade, só foi batizado no seu leito de morte.” Não obstante, em 313 EC, Constantino e seu co-imperador, Licínio, emitiram um edito que concedia liberdade religiosa tanto a cristãos como a pagãos. A New Catholic Encyclopedia declara: “A concessão de liberdade de adoração feita aos cristãos por Constantino, significando que o cristianismo fora oficialmente reconhecido como religio licita [religião lícita] ao lado do paganismo, foi um ato revolucionário.”

No entanto, The New Encyclopædia Britannica declara: “Ele [Constantino] não tornou o cristianismo a religião do império.” O historiador francês Jean-Rémy Palanque, membro do Instituto da França, escreve: “O Estado romano . . . continuou, porém, oficialmente pagão. E Constantino, ao aderir à religião de Cristo, não acabou com esta situação.” Na obra The Legacy of Rome (O Legado de Roma), o Professor Ernest Barker declarou: “[A vitória de Constantino] não resultou no estabelecimento imediato do cristianismo como religião do Estado. Constantino contentou-se em reconhecer o cristianismo como um dos cultos públicos do império. Durante os setenta anos seguintes realizavam-se oficialmente em Roma os antigos ritos pagãos.”

De modo que, neste ponto, o “cristianismo” era uma religião legalizada no Império Romano. Quando é que se tornou, em pleno sentido da palavra, a religião oficial do Estado? Lemos na New Catholic Encyclopedia: “A política [de Constantino] foi continuada pelos seus sucessores, com exceção de Juliano [361-363 EC], cuja perseguição do cristianismo acabou de repente quando faleceu. Por fim, no último quarto do 4.° século, Teodósio, o Grande [379-395 EC], tornou o cristianismo a religião oficial do Império e suprimiu o culto pagão, público.”

Em confirmação disso, e revelando exatamente o que esta nova religião estatal era, o erudito bíblico e historiador F. J. Foakes Jackson escreveu: “Sob Constantino, o cristianismo e o império romano eram aliados. Sob Teodósio foram unidos. . . . Daí em diante, o título de católico devia ficar reservado aos que adoravam o Pai, o Filho e o Espírito Santo com igual reverência. Toda a política religiosa deste imperador tinha esta finalidade, e resultou em a Fé Católica tornar-se a única religião legal dos romanos.”

Jean-Rémy Palanque escreveu: “Teodósio, ao combater o paganismo, assumiu também uma posição em favor da Igreja ortodoxa [católica]; seu edito de 380 EC ordenava que todos os seus súditos professassem a fé do Papa Dâmaso e do bispo [trinitário] de Alexandria, e privava os dissidentes da liberdade de culto. O grande Concílio de Constantinopla (381) renovou as condenações de todas as heresias, e o imperador cuidou de que nenhum bispo as apoiasse. O cristianismo niceno [trinitário] tornara-se de fato a religião do Estado . . . A Igreja ficara unida ao Estado e gozava do seu exclusivo apoio.”

Portanto, não foi o cristianismo não-adulterado dos dias dos apóstolos que se tornou a religião estatal do Império Romano. Foi o catolicismo trinitário do quarto século, imposto à força pelo Imperador Teodósio I e praticado pela Igreja Católica Romana, que naquele tempo bem como agora deveras faz parte deste mundo.

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